DIETA PRIMAL 2 – Entrevista com Thiago Witt

janeiro 17th, 2012 por Renata Merlino

Fiz a mesma entrevista com duas pessoas pra que vocês notem que diferentes histórias de vida obtiveram os mesmos resultados positivos. O Thiago eliminou 10kgs e teve boas e significativas mudanças físicas e também expôs pra nós sua opinião pessoal e visão técnica sobre o estilo de vida Primal. Então, aproveitem a entrevista e qualquer dúvida nos escreva. OBRIGADA pela participação Thiago!

1)Qual sua idade, peso atual e altura?

 Tenho 30 anos, 1,76m e 73kg.

 2)Com que você trabalha? Faz exercícios físicos? Se sim, de qual tipo e quantas vezes na semana?

 Sou analista de sistemas. Basicamente passo o dia sentado no escritório em frente ao computador. Atualmente minha rotina de exercícios consiste em:

- 1h de musculação na academia duas vezes por semana.

- Uns 15 a 20 minutos de sprints uma vez por semana.

- Longos passeios de bike pela cidade de vez em quando aos domingos.

- Ocasional escalada in-door com os amigos do trabalho.

3)Quais os principios mais importantes da dieta Primal? Como e quando foi seu primeiro contato com ela? No que se baseia?

Meu primeiro contato com o estilo de vida primal foi no começo de 2010. Fiquei curioso depois que um amigo começou a compartilhar diversos artigos sobre o assunto e comecei a ler a respeito. Me interessei o suficiente para comprar o livro Primal Blueprint, escrito por Mark Sisson, idealizador da coisa, e como as informações fizeram sentido para mim, apesar de irem em parte contra o que eu achava saudável na época, resolvi experimentar as mudanças propostas por 1 mês. Esse mês passou, resolvi continuar por mais 2, até fazer meu check-up anual, e como as mudanças foram tão boas, continuo seguindo até hoje. A dieta primal consiste basicamente em uma volta às origens, a buscar uma alimentação mais próxima do que o ser humano teve durante sua evolução pré-agricultural, baseada em alimentos integrais, minimamente processados, que eram caçados ou coletados pelos nossos ancestrais. Deve-se eliminar da dieta a maioria dos produtos industrializados modernos cheios de açúcar (em suas várias formas), grãos, gorduras vegetais processadas, conservantes, e toda espécie de componentes artificiais.

Estão liberadas as hortaliças (menos os vegetais ricos em amido, como batatas), carnes, incluindo de órgãos, ovos, frutas (sem exageros), oleaginosas, e um pouco de laticínios, se não houver intolerância. Nada de pães, bolos ou massas em geral. Nada que contenha farinha de trigo, nem mesmo integral. Mas o estilo de vida primal não se resume somente à dieta, também compreende uma rotina de exercícios, descanso, controle do stress, e outros aspectos. Tudo seguindo a lógica de raciocínio evolutivo, de como emular um estilo de vida mais próximo ao qual estamos geneticamente predispostos a experienciar, sem abrir mão das facilidades e conforto da vida moderna, afinal ninguém (bem, quase ninguém) vai querer ir morar em uma caverna, não é?

 4)Como foi sua transição do junk-food para o estilo de vida primal?

No começo foi bem difícil. Eu não vivia realmente à base de “junk-food”. Já havia algum tempo que eu tentava me alimentar melhor, preferindo pães e arroz integrais, sucos de frutas ou chás aos invés de refrigerantes, evitava gorduras animais, carne vermelha, enfim, tudo aquilo que manda a “sabedoria convencional”. Mas acabei descobrindo que não era bem por aí. Troquei os pães no café da manhã por frutas ou omeletes, passei a beber apenas água com as refeições, a comer várias coisas (verdes, na maioria) que nunca nem havia experimentado, e aos poucos passei até a gostar delas. Troquei os rodízios de pizza por churrascarias. Perdi o medo das gorduras saturadas, passei a comer mais gordura e proteína, para compensar a redução drástica dos carboidratos, e aos poucos fui me acostumando e aprendendo a saborear este novo leque de opções (ah, como vivi tanto tempo sem bacon?).

Hoje já estou acostumado com minha nova dieta. Não sinto a menor falta do arroz, feijão e batatas fritas de antigamente. Mas os pães e doces ainda são o meu ponto fraco. Não sou radical e fico me privando de nada, mas tento não trapacear e sair da dieta mais que uma vez por semana.

Também fui mudando aos poucos a rotina de exercícios, passei a tomar mais sol e a tentar seguir também os outros aspectos do estilo de vida primal.

5)O que mudou na sua vida (social e fisicamente) depois disso?

Socialmente não houveram muitas mudanças, além de eventualmente ter que dar uma explicação rápida à respeito das minhas escolhas na hora do almoço pra quem estiver junto. Fisicamente as mudanças foram bem maiores. Perdi cerca de 10kg em poucos meses, passei a ter mais disposição e energia no dia a dia, nunca mais tive problemas com refluxo gástrico, me curei de uma alergia que me incomodava muito, enfim, me sinto bem melhor no geral.

6)Quais as principais diferenças entre a dieta primal e a paleolítica?
 

No que diz respeito à dieta, eu diria que as duas tem mais similaridades que diferenças. A dieta paleo é um subconjunto da dieta primal, ou seja, é um pouco mais restrita. Na dieta paleo, leite e seus derivados não são permitidos. Eles também evitam incentivar o consumo de gordura saturada animal, embora não a condene também como as dietas convencionais.

A dieta primal é apenas um aspecto do primal blueprint, que compreende várias outras coisas como atividade física, mental e outros hábitos para proporcionar o ambiente ideal para o seu corpo prosperar.

7)Exemplifique o que você come (no dia todo) em um dia de trabalho e no fim de semana se mudar algo.

Um dia útil típico:

Café da manhã: Muitas vezes, nada. As vezes alguma fruta da estação ou um omelete com queijo e talvez alguma sobra do jantar do dia anterior.

Almoço: Dou preferência a restaurantes self-service, onde geralmente pego legumes variados (tomate, brócolis, couve-flor, cenoura, beterraba, etc) e carnes variadas (frango, carne, peixe, qualquer coisa com bacon). Bebida: geralmente nada, ou água sem gás. Sobremesa: nada.

Jantar: Normalmente bem similar ao almoço, mas incluindo uma salada verde. Bebida: água. Sobremesa: salada de frutas ou um pedaço de chocolate amargo (85% cacau).

Aos finais de semana às vezes como um doce (difícil resistir às guloseimas da minha mãe) ou pão, nas raras vezes em que meu pai resolve fazer em casa.

8)Sabemos que mudanças na rotina alimentar é sempre difícil para as pessoas absorverem. Nesse sentido, é dificil pra você psicologicamente ser diferente ou passa vontade de comer alguma coisa que não seja do estilo primal?

O começo foi bem difícil, já que mudei minha dieta radicalmente da noite pro dia. Mas depois de duas ou três semanas já estava razoavelmente acostumado. Hoje em dia, depois de quase dois anos, estou completamente adaptado, não sinto nenhuma dificuldade e nem falta da maioria das coisas que abandonei. Não me lembro da última vez que comi arroz e feijão. Dito isto, não sou nenhum radical, se vou comer na casa de alguém e não há opções primais, como o que tiver mesmo sem nenhum problema. Eventualmente me dá vontade de comer uma pizza ou um sorvete e eu vou lá e como e não fico me culpando depois, só não faço isso com frequência.

Para quem quiser se aprofundar no assunto, recomendo o blog do Mark Sisson, criador da dieta primal: http://www.marksdailyapple.com/. Lá você vai encontrar uma infinidade de informações sobre todos os aspectos do estilo de vida primal, em inglês. Recomendo também um documentário independente americano chamado “Fat Head”, bem humorado e com muita informação relevante. Existe legenda em português pra ele pra quem souber encontrar.

Até bem pouco tempo atrás não havia nenhuma fonte de informações em português sobre o movimento primal/paleo, o que motivou a mim e a algumas outras pessoas a criarem blogs nacionais para divulgar o estilo de vida primal. Venha nos visitar e experimente dar uma chance a um estilo de vida diferente:

https://vidaprimal.wordpress.com/

http://primalbrasil.wordpress.com/

http://vidaprimal.blogspot.com/

Se alguém tiver alguma pergunta, pode postar um comentário aí embaixo.

Podem também me encontrar no twitter (@thiagowitt).

Um grande abraço,

Thiago

DIETA PRIMAL – Entrevista com Bruna Machado

janeiro 13th, 2012 por Renata Merlino

Ela era vegetariana e se tornou adepta da Dieta Primal, oposta ao primeiro estilo. Ela é magra, jovem e determinada à obter qualidade de vida também pela alimentação. Assim,convidei-a para uma entrevista pra que a gente possa conhecer melhor esse estilo de dieta que também é um estilo de vida e que vem se tornando muito utilizado principalmente por quem pratica esportes.Vale muito a leitura!! Nosso OBRIGADA a Bruna pela participação!

1)Qual sua idade, peso e altura?

23 anos, 1,57m e 50 kg.

2)Com que você trabalha? Faz exercícios físicos? Se sim, de qual tipo e quantas vezes na semana?

Trabalho na Suzano Papel e Celulose e no tempo livre me dedico ao Primal brasil. Atualmente, faço natação 2x por semana, caminhadas diárias e os exercícios de força que recomendo no blog. Faço aulas de surf 1x por semana também.

3)Quais os princípios mais importantes da dieta Primal? Como e quando foi seu primeiro contato com ela? No que se baseia?

A dieta Primal se baseia na alimentação dos nossos ancestrais do período paleolítico. Nossos genes foram moldados nesta época e sofreram poucas mudanças significativas desde então, o que nos leva a concluir que estamos mais bem adaptados aos alimentos que eram consumidos nesta época. Por isso, os princípios fundamentais da dieta são: não comer nada de grãos (trigo, arroz, milho, etc) , não comer açúcar, alimentos processados e industrializados. Reduzir o consumo de carboidratos, preferindo àqueles de menor índice glicêmico, como batata doce, nhame, mandioquinha…

Meu primeiro contato com a dieta foi por meio do site http://www.beyondveg.com/, que fala sobre a dieta dos nossos ancestrais. A partir daí conheci o trabalho do Dr. Cordain e posteriormente o seu livro – The Paleo Diet ( A dieta do paleolítico, em uma tradução livre). Na época, eu era vegetariana e já fazia pesquisas sobre a alimentação ideal. Não demorou muito para que eu conhecesse outros autores relacionados e mudasse de vez minha opinião sobre as dietas.

4)Como foi sua transição do vegetarianismo para o estilo de vida primal?

Bem, as duas principais razões pelas quais eu me tornei vegetariana foram: escolher a dieta ideal (mais saudável) para o corpo humano e escolher uma dieta sustentável para o planeta. E eu acreditava que estava fazendo isso, mas me deparei com o trabalho da Lierre Keith’s – The Vegetarian Myth (o mito do vegetarianismo)  e percebi o quanto estava enganada. Eu desconhecia o mal que a agricultura faz ao planeta e o perigo dos grãos para o meu corpo! Depois de tantas informações, a transição foi fácil.

5)O que mudou na sua vida (social e fisicamente)depois disso?

Socialmente muito pouco! Diferentemente de um vegetariano, que normalmente tem que assumir sua posição em restaurantes, jantares e etc, você não precisa, se não quiser, dizer para ninguém que está seguindo a dieta primal. Ninguém vai te julgar ou talvez nem vão perceber quando você pede para substituir o arroz por legumes, por exemplo. Qualquer um pode fazer isso. Fisicamente, eu perdi o aspecto magrela que tinha antes, e ganhei massa magra. Meu peso sofreu poucas alterações, mas só porque eu já tinha perdido peso anteriormente. O mais importante foi a substituição da gordura por músculo.

6)Quais as principais diferenças entre a dieta primal e a paleolítica?

Bom, a principal diferença é mesmo o consumo de gordura saturada, que não é evidenciada pela dieta Paleolitica.  No entanto, o Dr. Cordain estimula muito o consumo de carnes, e qualquer carne magra tem um bom percentual de gordura. A dieta primal coloca o consumo de gordura (saturada e insaturada) como principal fonte de energia para o ser humano, ao contrário dos carboidratos, que são a recomendação tradicional.

7)Exemplifique o que você come (no dia todo)em um dia de trabalho e no fim de semana se mudar algo.

Bom, segue um dia na minha alimentação. Vale dizer que eu sou uma pessoa que sente mais fome durante o dia do que a noite,ok?

Café da manhã: Ovos mexidos ou tapioca recheada com queijo, ou com cacau em pó, manteiga e mel. Café puro, sem açúcar.

Almoço: Almoço fora de casa todos os dias, então sempre escolho uma porção grande de carne/peixe/frango (cerca de 250g), saladas variadas e/ou legumes (batata doce, mandioquinha, mandioca, batata, abóbora, tomate, abobrinha, cenoura, são os mais comuns)

Não bebo nada durante as refeições.

Sobremesa: chocolate meio amargo (umas 30g). Eventualmente nos fins de semana, como um brigadeiro ou um sorvete.

Lanche da tarde: chá verde (todos os dias), uma ou duas fruta e castanhas ou damascos. (depende da fome!)

Jantar: omelete + abacate batido com um pouco de suco, ou sopa de mandioquinha (ou algum outro tubérculo), ou uma carne com legumes (depende da fome e do que tenho na geladeira!)

8)Sabemos que mudanças na rotina alimentar é sempre difícil para as pessoas absorverem. Nesse sentido, é difícil pra você psicologicamente ser diferente ou passa vontade de comer alguma coisa que não seja do estilo primal?

Como você falou, acho que qualquer mudança alimentar é difícil, mas normalmente só no começo. Depois que você se acostuma com a dieta, é muito tranquilo! Dificilmente passo vontade de comer alguma coisa, porque raramente sinto fome, a dieta primal não te deixa passar fome! As situações mais difíceis são quando vou a alguma festa ou por exemplo, à uma pizzaria. São ambientes que acabam favorecendo uma escolha errada. Por isso, indico evitar algumas ocasiões quando estamos em período de transição da dieta. Hoje em dia consigo me controlar mesmo nestas situações, mas sou bastante humana em relação à minha dieta. Se estou com muita vontade de comer uma pizza, como e pronto, não fico sofrendo. Mas isso realmente acontece com raridade, eu diria, sei lá, uma vez a cada 45 dias mais ou menos. Normalmente me mantenho na dieta porque estou sinceramente feliz com ela!

por Bruna Machado do blog  http://primalbrasil.wordpress.com

DIETA PALEOLÍTICA: EFEITOS NA COMPOSIÇÃO CORPÓREA

julho 29th, 2011 por Renata Merlino

A imagem ao lado foi retirada do site de Arthur de Vany (www.arthurdevany.com) e mostra o notável efeito da influência da dieta paleolítica no corpo desse senhor de 72 anos. Com menos de 8% de gordura no corpo e saúde pra dar e vender, eu pude ver um assunto quase polêmico virar fato. A dieta proposta consiste em comer aquilo que nosso DNA está apto a digerir com facilidade desde o perído paleolítico: carnes, ovos, frutas, vegetais (exceto batata) e nozes. Isso compõe a dieta habitual de Arthur e segundo os anos que ele passou estudando metabolismo e bioquímica, é a forma ideal de trocarmos gordura por músculos, sem suplementos protéicos e nem planos mirabolantes. Simples assim.

Além de seguir esse estilo de dieta, o autor também põe em cheque o que nós conhecemos a respeito da melhor forma de se exercitar para perder peso e de quais alimentos realmente nos fazem bem. E como não poderia ser diferente, esse plano dietético e de exercícios deixa os níveis de colesterol, triglicérides e glicemia completamente normais ou muito melhor que a média das pessoas.

Para quem se interessar por saber mais um pouco, vale a pena ler o livro recém lançado no Brasil de Arhur de Vany – A NOVA DIETA DA EVOLUÇÃO, ou consulte um nutricionista. Para mim, o livro foi uma interessante surpresa, do ínicio ao fim e que tem toda lógica quando se trata de alimentação e corpo saudáveis.

Aprendi muito com a dieta paleolítica e espero utilizar os fundamentos dessa teoria da melhor forma para meu corpo e mente. Vamos testar? : ))

por Renata Merlino